Monday, August 14, 2006

Atualíssimo Bilac!

Ousas afirmar que o jornalismo é digno de esquecimento rápido e que o poeta fica datado? Sem essa!!! Autor de crônicas indignadas, bem humoradas, exultantes, imprevisíveis e cheias de vibração o homem arrebenta (ou). Dá só uma olhada, vale muitíssimo a pena. Todos os superlativos seriam, ainda, poucos para descrever sua obra.
....Merecem alguma tenção as declarações que o nosso Prefeito fez a um jornalista: "Pedi demissão porque o cargo de Prefeito não pode deixar de ser político e, sem saber porque, tenho criado inimigos em todos os partidos e em todos os grupos. Mas insistiram tanto, que me resignei a levar a cruz ao Calvário". Essa declaração de que não há meio de fazer administração municipal sem política é preciosa: ela só, mais do que tudo quanto se pudesse escrever em quinhentos volumes, define a situação curiosíssima em que nos vemos todos nesta cidade gloriosa. Para calçar a cidade, para varrer, para fazer passar um jorro de água purificadora pelos seus esgotos, para não consentir que suas ruas sejam vastas estrumeiras, é necessário, é indispensável que haja política.
É o que se pode depreender das declarações de nosso Prefeito. Pois sim! A mim não me convencem essas altas razões. Porque a verdade é que se houvesse limpeza não haveria política...
Já disse que a política é um cogumelo podre, uma esponja que absorve tudo, um pântano que tudo infecciona. Mas a melhor comparação é esta: a política é um tiflomolgo. O nome é feio: mas o animal que dá por ele ainda deve ser mais feio. O tiflomolgo, até agora desconhecido, acaba, segundo uma Revista Científica do Jornal do Comércio de ontem, de ser descoberto num poço artesiano de S. Marcos, no Texas.
É uma "espécie de salamandra, completamente cega, de cor branca, viscosa e mole, amando o lodo e a treva, dotada de pernas longas e delgadas, que não são próprias para locomoção, mas servem para reconhecer o terreno escuro". É possível que a descoberta deste singular animalejo nos poços do Texas seja um novo canard dos inventivos yankees, mas que o tiflomolgo exista no Rio de Janeiro, isso não pode padecer dúvida: o tiflomolgo é a política, e se este Prefeito (como todos os que já tivemos) não limpa cidade, é porque, amando apaixonadamente o feio bicharoco, não quer privá-lo da lama em que tão regaladamente se agitam as suas longas e delgadas pernas gosmentas.
Dizer que é impossivel ser Prefeito sem fazer política, é uma verdade: mas também é uma verdade, ainda mais absoluta, que não é possível fazer política sem ser mau prefeito. Porque para manter a política é preciso manter a porcaria, coisa que é muito boa para o tiflomolgo, mas que só pode ser muito má para mim e para meus comunícipes, que não temos como aquela admirável criatura, o amor extraordinário pelo lodo.

[Diário do Rio, 17 de julho de 1898].

Monday, June 26, 2006

Bombón - El Perro


De Cortázar ao diretor Carlos "hermano" Sorín.

Película cinematográfica repleta de puro encantamento.

Pessoas simples com suas vidas simples.

Fascinante!

Um jorro latino de curiosa poesia!!!!

O jornal e suas metamosfoses

Um senhor pega um bonde depois de comprar um jornal e pô-lo debaixo do braço. Meia hora depois, desce com o mesmo jornal debaixo do mesmo braço.

Mas já não é mais o mesmo jornal, agora é um monte de folhas impressas que o senhor abandona num banco da praça.

Mal fica sozinho na praça, o monte de folhas impressas se transforma outra vez em jornal, até que um rapaz o descobre, o lê, e o deixa transformado num monte de folhas impressas.

Mal fica sozinho no banco, o monte de folhas impressas se transforma outra vez em jornal, até que uma velha o encontra, o lê e o deixa transformado num monte de folhas impressas. Depois, leva-o para casa e no caminho aproveita-o para embrulhar um molho de acelga, que é para o que servem os jornais depois dessas excitantes metamorfoses.

Julio Florencio Cortázar - Histórias de Cronópios e de Famas

Sunday, June 18, 2006

"Música, Poesia e Esperança...na Margem da Pele"

Na margem da pele eu me arrepio
Muitas vezes pode demorar
E vem nas águas de outro rio
Tanta sede que ficou no ar
Quantos anéis te daria
O que eu não faria pra te alcançar
Onde você estaria,
Que outros amores foi frequentar?
Mas você voltou...
Você voltou...
Você voltou...
Você voltou...

Ana Carolina - Totonho Villeroy - João Nabuco

Sunday, February 26, 2006

Quando ela fala.....e escreve

She speaks!
O speak again, bright angel!
Shakespeare

QUANDO ela fala, parece
Que a voz da brisa se cala;
Talvez um anjo emudece
Quando ela fala.
Meu coração dolorido
As suas mágoas exala.
E volta ao gozo perdido
Quando ela fala.
Pudesse eu eternamente
Ao lado dela, escutá-la,
Ouvir sua alma inocente
Quando ela fala.
Minh'alma, já semimorta,
Conseguira ao céu alçá-la,
Porque o céu abre uma porta
Quando ela fala.

Machado de Assis

Wednesday, February 22, 2006

Makaira Nigricans Lacepede.....


Habito águas azuis, limpas e quentes.
Nado sozinho.
Entitulam-me como "O Cobiçado"!
Sou o símbolo de tudo que o mar tem de desafio, aventura e mistério.
Sou briguento, veloz, alto e robusto.....
Quando me excito, exponho estruturas cristalizadas que refletem a luz circundante...Quase nunca me acalmo!
A noite, procuro águas mais profundas pois o dia já teve o prazer de contemplar meu dorso!